A FAMILIA É REALMENTE FUNDAMENTAL?
u “Educação é trabalho. Se você tem um relatório para entregar para seu chefe no dia seguinte, você vai virar a noite, mas vai escrevê-lo. Se está com TPM, mas tem uma reunião decisiva, você toma um comprimido e vai. Por que muitas pessoas não têm esse empenho quando se trata de educar os filhos? É o que chamamos de “investimento parental”. Tem de investir, tem de fazer esforço, tem de dar a real importância há esse tempo com os filhos”.
(Lídia Weber)
A família prepara e cuida
Como bem frisou Ligia Weber “tem que investir, tem que fazer esforço, tem que dar a real importância...” A família é geralmente o primeiro grupo social do qual a pessoa faz parte. Assim, cuida inicialmente do indivíduo e prepara (ou deveria preparar) para que tenha melhores chances de relacionar-se apropriadamente com grupos sociais mais amplos, como por exemplo: governo, religião, sistema econômico, educação. Quem imagina um bebê sendo criado sem alimento, carinho, calor? Pois existem muitas e muitas famílias que simplesmente trocam à função de cuidadoras, para dar lugar apenas a provisão, como se apenas algumas necessidades sendo satisfeitas fossem suficientes para criar um ser humano, e não somente um pedaço de carne e osso ambulante. Se assim fosse não haveria necessidade da família existir. Bastaria a procriação da espécie em si.
Não bastassem os atuais desastres da natureza, estão evidentes nos jornais, revistas, nos relatos de pais e filhos o quanto as famílias estão desajustes, com relações desgastadas e prejudicadas.
Pais ensinam...
Através dos pais, freqüentemente os filhos aprendem sobre as conseqüências resultantes de suas ações. São ensinadas através da convivência familiar diversas noções importantes para a convivência em sociedade. Por exemplo, noções de bom e mau, legal e ilegal (na concepção do sistema de avaliação do governo); bem e mal, pecado e virtude (no sistema de avaliação religiosa; “bens” materiais, ganhos e perdas (dentro do sistema da economia) e finalmente, certo e errado (dentro da educação)
Como os filhos aprendem com a família?
Desde pequenina a criança aprende com o modelo que é oferecido a ela. As crianças, adolescentes tal como os adultos aprendem “bons” e “maus” comportamento, observando como outras pessoas agem e o que acontece a elas. Desse modo, pais que freqüentemente se agridem frente a algum problema, mostram aos filhos que a forma de resolver situações de conflito é através da intolerância e agressividade. Se por outro lado, o casal conversa, fala e ouve um ao outro com atenção, se procuram entender as razões pelas quais cada um agiu da forma como agiu, mostrariam aos filhos que para resolver dificuldades pessoais pode-se lançar mão da conversa em lugar de agressão.
Na família, também se aprende seguindo o que outras pessoas dizem. Através de conselhos, avisos, instruções, pais podem freqüentemente colaborar com seus filhos ajudando-os no alcance de seus objetivos, sucesso, e do mesmo modo a evitarem riscos a eles mesmos e a outros. No entanto, não “vale” o ditado faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Família e objetivos
A convivência familiar é cercada de objetivos: objetivos dos pais com relação aos filhos, dos filhos com relação aos pais, de um cônjuge com o outro, de um filho com relação ao outro filho, e objetivos razoavelmente comuns aos membros da família. Nesse sentido, cada membro deveria aprender a ouvir todos os demais da família, de modo a aprenderem a descrever as relações e não julgá-las, ter cuidado de apontar a parcela de cada um na manutenção de problema, pois o problema não se encontra no indivíduo, mas nas relações. Se pais não se dispõem a doar tempo para a família, como esperam que os filhos aprendam o que desejam?
Escute
Venho falando da importância do ouvir ao longo deste texto, e agora gostaria de terminar com a palavra de um autor desconhecido que expressa claramente o que a família deveria fazer pelo menos de vez em quando, para fortalecer esse grupo tão importante para o ser humano.
u Escute...
Quando eu lhe peço que me escute e você começa a me dar conselhos você não está atendendo ao que lhe pedi.
Quando eu lhe peço que me escute e você me diz que “eu não devo me sentir assim”, você não está entendendo o meu pedido.
Quando eu lhe peço que me escute e você “sente que tem que fazer algo”, você continua sem entender meus sentimentos.
Escute. Tudo o que lhe pedi foi para me escutar, não falar ou fazer nada.
Quando você faz por mim uma coisa que eu posso e preciso fazer, você contribui para o meu medo e fraqueza.
Mas é muito bom quando você aceita o que eu sinto, mesmo que a todos pareça absurdo. “Sentimentos absurdos” fazem sentido quando entendemos o que significam.
Por isso, por favor, apenas me escute. Se você quiser falar, espere um pouco pela sua vez.
E eu escutarei você.
(autor desconhecido)